Lucas 1:26–38
Depois de anunciar a Zacarias o nascimento de João, Lucas apresenta a anunciação do nascimento de Jesus. O anjo Gabriel é enviado por Deus a Maria e revela que ela dará à luz o Filho do Altíssimo, cujo reino será eterno. Diante de uma promessa humanamente impossível, Maria responde submetendo-se à vontade do Senhor.
A passagem pode ser dividida em três partes:
- A saudação do anjo e o anúncio do nascimento de Jesus (v.26–33).
- A pergunta de Maria e a explicação sobre a ação do Espírito Santo (v.34–37).
- A submissão de Maria à vontade de Deus (v.38).
Deus nos ensina que Sua Palavra é digna de confiança, mesmo quando aquilo que Ele promete está além do que conseguimos compreender.
A promessa recebida por Maria ultrapassava os limites daquilo que ela poderia realizar ou explicar por si mesma. Ainda assim, a impossibilidade humana não estabelecia o limite para o poder de Deus.
É justamente isso que Gabriel afirma: “Porque para Deus não haverá impossíveis” (v.37). A confiança de Maria não estava em sua capacidade de entender todos os detalhes, mas no Deus que havia falado.
Essa verdade nos ensina a não medir o poder de Deus pelas circunstâncias que conseguimos enxergar. Existem situações em que não temos respostas, não compreendemos como algo poderá acontecer e não conseguimos visualizar o caminho. Isso, porém, não torna a Palavra do Senhor menos verdadeira.
A fé não significa compreender tudo antes de obedecer. Significa reconhecer quem falou e confiar nEle.
A resposta de Maria expressa uma disposição de se colocar nas mãos de Deus, confiando naquilo que Ele havia declarado.
Quando a Palavra do Senhor confronta nossos limites, somos chamados a fazer o mesmo: não colocar nossa compreensão acima da promessa, mas submeter-nos ao Deus que é poderoso para cumprir Sua vontade.
Há momentos em que queremos compreender primeiro para somente depois confiar. Procuramos saber como tudo acontecerá, quais serão as consequências e se conseguiremos lidar com aquilo que Deus está colocando diante de nós.
Esta passagem nos convida a inverter essa ordem.
Quando a Palavra de Deus já deixou clara a Sua vontade, nossa responsabilidade não é exigir que todas as circunstâncias façam sentido antes de obedecer. É confiar nAquele que falou.
Isso não significa agir de maneira imprudente ou chamar de promessa de Deus aquilo que Ele não prometeu. Significa permanecer firme naquilo que Sua Palavra realmente afirma, mesmo quando nossas limitações nos fazem enxergar apenas impossibilidades.
Hoje, diante de algo que você não consegue compreender, pergunte: estou esperando entender para então confiar, ou estou disposto a confiar porque conheço o Deus que falou?
A resposta de Maria nos conduz à humildade diante de um Deus que não precisa caber nos limites da nossa compreensão.
Há coisas que permanecerão maiores do que aquilo que conseguimos explicar. Mas o desconhecido não precisa nos afastar dAquele que conhece todas as coisas.
Ao meditar nesta passagem, reflita:
- Tenho colocado minha compreensão como condição para confiar em Deus?
- Há alguma verdade da Palavra diante da qual tenho resistido porque não consigo enxergar como ela poderá se cumprir?
- Quando Deus deixa Sua vontade clara, minha resposta é submissão ou procuro primeiro encontrar uma alternativa mais confortável?
- Minha confiança está limitada ao que considero humanamente possível?
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