Lucas 1:39-56
Esta passagem está inserida nos relatos que antecedem o nascimento de Jesus. Depois do anúncio feito a Maria, Lucas apresenta o encontro entre Maria e Isabel e registra o cântico de louvor de Maria, que reconhece a grandeza de Deus e sua fidelidade às promessas feitas ao seu povo.
A passagem pode ser dividida em três partes:
- O encontro de Maria e Isabel e a reação de João no ventre (v.39–45).
- O cântico de louvor de Maria (v.46–55).
- A permanência de Maria com Isabel e seu retorno (v.56).
Deus deseja formar em nós uma fé que confia em Sua Palavra e, por isso, responde a Ele com humildade e adoração.
A fé cristã não está fundamentada naquilo que conseguimos compreender ou controlar, mas no caráter dAquele que falou. Quando Deus promete, Sua Palavra é digna de confiança porque Ele é fiel. Por isso, crer não significa ter todas as respostas; significa reconhecer que Deus continua sendo digno de confiança mesmo quando ainda não vemos como Sua vontade se cumprirá.
Essa confiança também transforma a maneira como enxergamos aquilo que recebemos de Deus. Em vez de fazer das bênçãos uma razão para nos colocarmos no centro, somos conduzidos a olhar para o Senhor e reconhecer Sua grandeza. A verdadeira fé não termina naquilo que Deus faz por nós; ela nos leva a contemplar quem Ele é.
Isso exige humildade. Reconhecer a ação de Deus significa admitir que não somos a fonte daquilo que recebemos nem temos o controle sobre Seus propósitos. Tudo depende da Sua misericórdia e da Sua vontade.
Por isso, a confiança em Deus e a adoração caminham juntas. Quando cremos que Ele é fiel, podemos descansar sem precisar controlar o resultado. Quando reconhecemos Sua grandeza, podemos recebê-la com gratidão, sem transformar Suas dádivas em motivo de exaltação pessoal.
Lucas 1:39-56 nos conduz, assim, a uma fé que crê antes de ver, confia sem controlar e adora sem colocar a si mesma no centro.
Quando as circunstâncias não estiverem sob nosso controle, podemos escolher firmar nossa confiança naquilo que Deus revelou sobre si mesmo. A fé não precisa esperar que tudo faça sentido para começar a adorar.
Também precisamos observar para onde nossa atenção se volta quando Deus nos abençoa. Podemos facilmente concentrar-nos naquilo que recebemos e esquecer aquele que nos concedeu. O exemplo de Maria nos conduz na direção contrária: as dádivas de Deus devem nos levar a reconhecer sua grandeza.
Hoje, diante de uma promessa, uma espera ou uma circunstância que você não compreende, procure substituir a ansiedade pelo reconhecimento do caráter de Deus. Em vez de perguntar somente “o que acontecerá comigo?”, volte o coração para “quem é o Deus em quem estou confiando?”
A fé verdadeira não termina quando recebemos uma palavra de Deus; ela nos conduz a reconhecer quem Deus é. Quanto mais compreendemos Sua fidelidade, mais nossa confiança pode se transformar em adoração.
O Senhor continua sendo digno de louvor não apenas quando entendemos Seus caminhos, mas também quando ainda não conseguimos enxergar como Suas promessas se cumprirão.
Ao meditar nesta passagem, reflita:
- Tenho confiado na Palavra de Deus mesmo quando ainda não consigo enxergar seu cumprimento?
- Quando Deus me concede algo, minha atenção se volta mais para a dádiva ou para o Doador?
- Minha confiança em Deus está baseada em quem Ele é ou apenas naquilo que espero que Ele faça?
- Há alguma área em que preciso trocar a ansiedade pela confiança e pela adoração?
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